Preso na capa do caderninho por fita adesiva toda colorida e
cheia de brilho tem um bilhete:
“Pequena,
Me enterre!!
Meu corpo.
Meu diário...
Leia pra todos!!”
Tanto D. quanto O. me chamavam de ‘Pequena’... apelido que
vindo de um me irritava e vindo do outro me fazia derreter... depois conto a origem do apelido e quem foi O. nas nossas vidas.
D. era bissexual, cometeu suicídio numa manhã de agosto do ano
da graça de 2018.
Suas ultimas anotações eram instruções e declarações de um amor
que estava o deixando doente...sim...poucas pessoas vão entender que foi por
amor...tarados, ninfomaníacos, masoquistas, gays, bissexuais...também amam!!
O problema é aceitar todas essas nomenclaturas citadas ali atrás
antes da palavra ‘amam’ como NORMAIS.
Pronto desabafei...
As ultimas mensagens do no seu Wpp eram minhas, tentando
contar sobre o 'tarado dos nossos sonhos'...da orgia olfativa que estava no meu
quarto, na minha cama... compartilhavamos uma tara, um gosto por cheiros,
odores pós encontros carnais, pós coito, pós relações sexuais, pós foda –
começou a prolixa...rs
D.: Pequena, ele só
me bate... eu faço ele gozar, meu prazer é ver ele gozar... e agora a missão dele é apertar minha mente de tal
forma que não consigo gozar, não gozo com ele...não gozo com ninguém porque só
lembro dele das coisas que ele me diz...ontem fui para casa de Catarina lembra
dela? Ela tava dando uma festinha daquelas...dois caras me olhando, eu num
tesão...aceitei o convite pra ir prum lugar mais calmo...mas foi horrível os
caras gozaram tão rápido, fiquei com porra na cara, no cabelo, aquele cheiro
pau impregnado na cara, na mão...na roupa...caralho mas não gozei!!
Pela data isso havia acontecido um mês antes do suicídio.
Além dos bilhetes diretos a mim essa foi a ultima anotação
do diário de D.
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